Saúde

Na Gazeta: Médico aborda maneiras de prevenir o suicídio em profissionais de Saúde

Setembro 17 / 2021

Mais um setembro amarelo chegou e, neste mês, as solicitações para palestras e discussões sobre o a prevenção ao suicídio chegam à agenda do médico e palestrante Jean Rafael, que atua no Alagoas, autor do best-seller ''A ciência da gratidão: Como prevenir as doenças da mente e aplicar o gerenciamento de estresse''. ''Precisamos, mais que nunca, intensificar as ações sobre suicídio e saúde mental com extrema urgência durante todo o ano, não só neste mês. Se antes da pandemia os números já sinalizavam para uma questão de saúde pública para ontem, agora, com a pandemia, a situação torna o desafio ainda maior'', explica Jean, que participou do programa Lado a Lado Com a Notícia desta sexta-feira (17).

Os números que ratificavam o suicídio como uma das principais causas de morte em adolescentes, com mais de 700 mil em todo o mundo, chegando a superar mortes por câncer de mama e até guerras, mostram a importância de agir rápido, já que este tipo de situação, além de trágica para quem realiza o ato, impacta em toda a família e mobiliza toda a sociedade para questões internas que suscitam os valores humanos. ''Nossa tarefa principal agora é alertar os profissionais da área de Saúde que sofreram muito com a pandemia de que o estresse pós-traumático, se não identificado e corretamente tratado, aumenta significativamente a possibilidade de suicídio. O desgaste mental e físico que ocorrem pelas demandas exaustivas fazem com que alguns hábitos destes profissionais sejam alterados, como sono, alimentação, respiração devido ao uso constante de máscara, hidratação e medo da contaminação por contato direto e frequente com pacientes'', completa. Tudo isso, segundo Jean Rafael, faz com que a carga de estresse seja intensa e sem períodos de reequilíbrio, por isso a necessidade de um cuidado maior tanto individualmente, por parte dos profissionais, como por parte das instituições. ''Os danos causados por essa falta de cuidado podem ser irremediáveis quando o profissional não se abre ao auxílio ou quando não encontra caminhos para fazer isso'', complementa.

Em sua prática em um hospital que tem portas abertas para casos de suicídio, Jean tem a oportunidade de conversar com muitos pacientes e colegas de trabalho, mergulhando na dor destas pessoas. Segundo Jean, muitos querem ser ouvidos, mas não encontram segurança para compartilhar seus problemas por medo de preconceito ou de serem excluídos do trabalho. Segundo ele, é perceptível a necessidade que muitos têm de acabar com a opressão psíquica e física extenuante. ''Os profissionais de Saúde querem uma solução, mas têm dificuldade de acessá-la e de compartilhar suas dores por inúmeras causas, como vergonha do preconceito que irão enfrentar ao compartilhar sua situação. Eu passei por isso, por isso resolvi escrever meu primeiro livro para ajudar os colegas a vencerem esta barreira'', explica.

O médico e palestrante cita algumas orientações para os profissionais de Saúde que podem auxiliar na prevenção ao suicídio:

1.  Um profissional de Saúde tem como base da sua profissão o cuidado, então, um exercício eficaz é perceber como está a qualidade do cuidado realizado consigo mesmo no dia a dia. Segundo Jean, é extremamente protetor estar conectado ao seu sentido de utilidade e seu propósito existencial - é como se a energia se renovasse, dando a sensação de que os problemas perdem força diante da capacidade de se expressar na vida.

 

2.  As pausas diárias para o autocuidado são muito importantes, portanto, exercícios regulares, hidratação, práticas de relaxamento e respiração, preparação para o sono e muitos outros cuidados fazem uma grande diferença em nossa jornada.

 

3.  Outros profissionais podem ajudar nos momentos de dificuldades, como psiquiatras, psicólogos e nutricionistas. A dica é buscar auxílio sem preconceito.

 

4.   Agradecer é extremamente preventivo já que, com o tempo, começamos a perceber a dinâmica da vida, valorizando tudo o que possuímos e ampliando a consciência para perceber as saídas para seguir adiante.

 

5.  Existem números de urgência com pessoas dispostas a escutar, o que é extremamente terapêutico, como o 188 do CVV - Centro de Valorização à Vida. O apoio emocional e a prevenção do suicídio são feitos por voluntários gratuitamente, sob total sigilo, tanto por telefone como por e-mail ou chat, 24 horas por dia, todos os dias da semana.

 


 (Com informações: Ana Paula Ruiz Assessoria).




Publicado por: Ana Maria Leal E-mail: anamaria@gazeta670.com.br
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