Coluna Circulando e a política atual.

''Cafundó''.

Ana Maria Leal
Novembro 18/ 2021

Repercutiu nesta quinta-feira (18) uma declaração dada na sessão da câmara desta semana.

Quem comentou estava especulando qual teria sido a conotação pretendida pelo autor.

Vamos contextualizar: Tudo aconteceu durante discussão do PL nº 072/2021 de autoria do Executivo Municipal, que já estava há semanas indo e voltando de pedido de vistas, e até a posição do sindicato dos servidores públicos municipais havia sido incluída na documentação anexa ao texto original.

É o projeto que ''permite que servidores dos cargos de Advogado, Assistente Social, Atendente de Pavimentação, Biólogo, Mecânico, Médico Veterinário, Técnico Rural e Químico conduzir veículos oficiais para sua locomoção durante o exercício de sua função''.

Teve emenda viável aprovada, e, a seguir, o projeto foi aprovado por 11 votos.

Contrário, apenas o pedetista Alaor Tomaz. Na condição de suplente, ele estava substituindo o vereador Bruno Berté (PDT).

Alaor pediu para expor a justificativa do voto: ''não tem sentido ter banca de concurso de motoristas e não ser usada, tendo pessoas que estão à espera de ser chamadas''.

O vereador Deninson (Dini) da Costa (MDB), fez o contraponto dizendo que enquanto estava secretário de Desenvolvimento presenciou situações em que um técnico estava pronto para ir cumprir sua atividade e ficava à espera do motorista  ''não há necessidade de aumentar tanto o quadro e deixar o motorista à espera de uma eventual saída de um técnico, é nesse sentido que meu voto é a favor, pela economicidade e agilidade do município''.

Mas a declaração que intrigou a alguns foi a do vereador emedebista líder do governo na câmara, Vanderlei Lopes (foto). Ao defender seu voto favorável citou fatos ocorridos enquanto estava diretor de Habitação. ''Tínhamos problemas lá no setor de habitação, tínhamos lá um motorista trabalhando conosco, vinha alguém da procuradoria, vinha o advogado, não podia dirigir, vinha assistente social, também não, e nós largar (as pessoas) em cafundó de vila, não, nunca a gente fez isso, sempre teve um homem que acompanhou, de motorista''.

Para ele, ter usado a palavra cafundó foi algo natural para fazer referência a um lugar distante e de difícil acesso.

Porém, nem todos entenderam desta forma.

Uma das pessoas que comentou comigo a respeito observou que o fato de ter dado a entender que cafundó é um lugar perigoso em nossas vilas onde uma pessoa que vai fazer um trabalho pela prefeitura não pode ir sozinha, não ''pegou bem''.

''Pedir voto aqui no cafundó pode? Mas vir uma pessoa da prefeitura sozinha, não pode?'' me questionou o interlocutor.

A propósito, conforme o site significados.com.br ''cafundó'' é ''uma expressão usada para se referir a um lugar ermo e longínquo, de difícil acesso. É um substantivo masculino que significa 'lugar muito distante' ou 'fim do mundo'.''






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